18 janeiro 2006

O tempo presente

Viver intensamente o presente. Assim é tornar-se mãe. Não dá pra ser daqui a pouco e não importa o que acabou de valer. O momento, cada momento é único, verdadeiro. O presente finalmente existe. Não é mais aquela sensação que escapa enquanto fazemos planos para o futuro ou nos apegamos ao passado. Um bebê transpira o tempo. Cada movimento, cada silêncio ou som, cada pedacinho desse pequeno/grande ser ganha significado. E quando isso acontece... mágica! Cada minuto tem sua importância. Se a Sofia chora agora, não adianta dizer que acabou de mamar ou que o leite é pra daqui a pouco. Nenê de dois meses não faz manha! Tem que resolver na hora (e pouco importa a hora que seja do dia ou da noite, bebê não usa relógio...). Se o cocô está vede ou amarelo, se é um sorriso ou só um espasmo, se é dor de ouvido ou de barriga, se obedece o médico ou a família e os amigos, cada assunto vira debate pra mais de dia. A dor e a delícia de ser mãe! Isso tudo sem contar no barato que é ver todo mundo discutir com quem se parece. Fotos são sacadas dos armários, o bebê é examinado palmo a palmo. Afinal, há que se encontrar pedacinho parecido com todo de mundo (de mais de uma geração, diga-se de passagem!).

Um comentário:

Lê. Andro disse...

Thá,

Achei um texto que escrevi no meu blogg faz um bom tempinho já... acho que tem a contribuir com o quê escreveu... lá vai:

"O Corpo Chave

Ah! Quanto tempo... e nesse tempo quanta coisa aconteceu. Deixei de escrever por falta de tempo. E o tempo continua sendo aquilo que me tempera nestes tempos sem tempo, até mesmo pro tempo. Outro dia minha irmã (grávida de Sofia) disse de mim ser o coelho da Alice. Mas me sinto mais como Alice, prestes a acordar e perceber que este tempo é outro, que esse coelho é lobo e que O Tempo, tempo mesmo, não tenho noção do que é. Ah, tanta coisa acontecendo... tantos "tantos" que chega a ser tanta a vida. Antes fosse ela tantra, com um tempo largo, mole e lerdo. Mas são contados os minutos, contados os ventos, contadas as voltas, contados os números deste tempo atravessando meus ossos...e pensamentos. Até canto tem tempo. As notas só são música no tempo. Organiza e desorganiza, mas nunca é orgânico. Está fora de mim, passa por mim e vai. Como um cachorro magro. Como um vulto ladrão, que zum! Leva coisas e deixa a velhice... deixa a espera por um tempo... e zum! Pra frente, tic-tac, nem volta e nem olha pra trás, nunca se satisfaz com aquilo que foi feito... e zum! Traz a morte e sai rebento...sem mais nem menos. Morre o sonho, morre a gente, morre o sonho da gente amiga... o sonho da multidão aflita por querer ser amiga?! O projeto do tempo é o de ir embora. O meu é de ficar pentelhando e trabalhar trabalhar trabalhar... e sonhar sonhar sonhar. Querer a utopia pra alcançar o sonho, querer o mundo pra conseguir os oceanos, querer aquele salto pra conseguir um passo a frente... me prometo o Universo pra conseguir abraçar a Lua! É ela que eu quero! A Lua, a rua, a sua, toda nua... mesmo que um dia o tempo me estapeie a cara e diga "fica na sua que um dia eu chego e te mostro a verdade nua e crua". Sorrio, agradeço e morro... como estou morrendo todos os dias.

O corpo chave pra fechadura tempo, parte do princípio do corpo aberto pra porta vida.

Sem mais..."